quinta-feira, 24 de julho de 2008

A VIRTUDE DA GUERRA

A Cronologia do Tempo.
A História.
O Conhecimento acumulado; que não corresponde, infelizmente, ao Conhecimento adquirido.
As Virtudes e a Honra.

A Humanidade percorre um trilho de escolhos e ganhos, tal como cada um de nós individualmente. E nesse percurso é suposto que ambos ganhem experiência e acima de tudo, Sabedoria.

De muitos recursos se tem valido a Humanidade na sua busca pelo Conhecimento, que nos proporcionasse um melhor existir. Tudo temos procurado entender e explicar, para melhor fazermos uso do que estivesse ao nosso alcance. E assim prosseguimos essa busca sem limites e que nos tem levado a lugares e desvelado saberes, anteriormente inimagináveis e tidos até como improváveis e mesmo impossíveis.

Na nossa contínua busca e insaciabilidade, criámos as mais díspares culturas, com os mais diversos costumes e as mais diferentes línguas.
A nossa inventividade e inspiração são inesgotáveis e a nossa imaginação alimenta-se a si própria, ostentada qual farol, na vanguarda de todos os nossos avanços. E através da criatividade gerada pela imaginação alcançámos, alcançamos e alcançaremos os maiores feitos. E deixamos por todo o lado a marca indelével da nossa presença.

Evoluimos longe uns dos outros. Evoluimos apoiados uns nos outros. Evoluimos uns contra os outros. Mas sempre evoluimos e continuamos evoluindo. Uns mais lestos que outros, mas evoluindo.

Mas ao longo de todo o nosso percurso sempre tivemos por companheira a Guerra.
Desde que o Homem deixou marcas da sua passagem por este Mundo, sempre ficaram vestígios ou registos da nossa propensão para a guerra. Tudo servia como pretexto para guerrear: disputas de soberania, disputas territoriais, ampliação de territórios, afirmação de poder, resolução de conflitos políticos ou religiosos e tantos, tantos outros pretextos. Desde os motivos entendidos como mais honrosos até aos mais mesquinhos, tudo serviu como justificação para fazer guerra.

Mas, fazendo uma analogia com as idades humanas, diriamos que a guerra seria admissível na infância e adolescência da humanidade. Mas agora, embora ainda atravessando os verdes anos da juventude, já vamos nos aproximando do estado adulto. E se por vezes é compreendido nas crianças o recurso à violência como forma de se afirmarem e de auto-reconhecerem as suas limitações, o mesmo já não se espera, nem tolera, de jovens garbosos dos seus novos atributos de pré-maioridade. Mesmo sendo essa a idade em que se entende estarem aptos (os mancebos) para o serviço militar; pura ironia dum Deus com um bizarro sentido de humor.

Ora, poderia parecer que a Humanidade já atingiu a maturidade suficiente para entender que a guerra não resolve problemas. Tem até o perverso efeito de criar ainda mais.

Contudo, hoje já não se fazem guerras para engrandecer Impérios que iriam deixar um legado indelével da sua cultura superior aos povos menos evoluidos, que se submeteriam à supremacia dos vencedores.
Hoje já não se fazem guerras para honrar o bom nome e os direitos de vassalagem de Nobres Senhores, que assumiam a protecção dos seus súbditos.
Hoje a guerra já nada tem de romântico ou nobre. A guerra já não se trava em campos de batalha entre exércitos beligerantes que se defrontavam directamente, corpo a corpo, homem a homem.
Hoje a guerra trava-se rua a rua, casa a casa, nas próprias cidades. Hoje ninguém vai fazer guerra para campos desertos, longe das cidades e aglomerados urbanos.
Hoje as guerras não envolvem apenas militares, mas cada vez mais as populações civis se vêm alvo das maiores atrocidades.

E, maior ignomínia de todas, hoje as guerras são promovidas por senhores intocáveis, que nem se confundem com os governantes que às guerras dão rosto; senhores incógnitos apenas movidos pelo puro lucro dos seus grandes negócios através dos quais tudo manipulam. Senhores mais poderosos que os governantes das nações poderosas. Mas senhores dos quais nunca ninguém saberá os nomes, muito menos vislumbrará os seus rostos.

Se alguma vez, no glorioso passado da História Bélica da Humanidade, um grande General arrogasse o direito de ver alguma virtude na guerra, por certo vacilaria de opróbrio perante aquilo em que esta se tornou nestes dias tão virtuosos da proliferação das Democracias e da afirmação dos Direitos Humanos.

Na voracidade da ganância até a Guerra perdeu a Honra.

4 comentários:

Paulo disse...

ManDrag

Na minha opinião evoluimos cada vez mais uns contra os outros, simplesmente porque a vida é uma guerra contínua, onde não sobra nem espaço nem tempo para estendermos a mão e levantarmos do chão, aquele que, mesmo que acidentalmente descaiu.

Por tudo e por nada, a torto e a direito, só pensamos em nós, ao ponto de não nos conseguirmos ver com exatidão.

Não, não acredito num mundo melhor.

Renascer seria preciso, directamente da Criação.

Um abraço apertado ManDrag

São disse...

Eu creio que estamos evoluindo, mas avançando meio mílimetro e recuando dez quilómetros.
Não acho que estejamos na infância sequer a nível de maturidade, estamos sim a nível dos animais.
Olhar para a História ´- escrita pelos vencedores, é preciso recordar - é contemplar barbáries e crueldades pontuadas , aqui e alé, por obras de génio.
Feliz fim de semana.

SILÊNCIO CULPADO disse...

ManDrag
Sou contra a guerra, a violência e a pena de morte. Não há justificações para a guerra nem a guerra resolve qualquer contenda.Mas se houvesse ética na guerra seriam os seus promotores que comandariam exércitos e que combateriam no terreno. Mandar bombas sobre populações desvalidas, velhos e crianças é duma enormidade sem nome.
O lucro e a ganancia desonraram os avanços tecnológicos quando os puseram ao seu serviço.
abraço

ManDrag disse...

Salve! Meus amigos
Pois é... a guerra é uma triste ignomínia que a humanidade ainda carrega, qual pedra de Sísifo.
Mas não percamos a esperança. Pelo menos que nos reste a Fé no melhor de que a Alma Humana é capaz.
Salutas!