terça-feira, 2 de dezembro de 2008

URBANA DIVAGAÇÃO 5: PRÉDIOS E CONSUMOS

A industria imobiliária é um dos grandes motores da economia nacional de qualquer país. Tal como as outras actividades económicas e industriais, ela deve reger-se por regulamentação que orienta e determina os padrões da sua actividade. 
Cabe aos governos, enquanto entidade supervisora dos interesses comunitários e reguladora das actividades que satisfaçam as necessidades da comunidade, legislar em prol do melhor para todos. E agora, mais do que nunca, impõe-se que os governantes decidam em função do equilíbrio e bem-estar dos ecossistemas tanto das comunidades, como das regiões em que se inserem e mesmo numa integração universal.

A moda actual na construção civil é a de incluir já em todos os apartamentos dum edifício acessórios de utilidade comum, tais como fogão, máquinas de lavar roupa e loiça, esquentador para aquecimento de águas, roupeiros incrustados e mesmo lareiras. O custo destes acessórios vem diluído no preço final de cada fracção do imóvel, pelo que os compradores vêm nisso facilitada a tarefa de equipamento dos seus recém adquiridos lares. A Lei obriga também o apetrechamento dos edifícios de altura superior a quatro pisos com ascensores, cujos custos dos ditos e da sua instalação vêm também incluídos no custo final das fracções.

Entendo que seria do interesse geral que a regulamentação da construção civil fosse mais longe nos seus propósitos tendo em conta o bem-estar geral (ou deverei dizer universal?) e a Lei obrigasse os arquitectos e construtores a incluírem nos seus projectos sistemas de gestão de recursos naturais, tais como água e energia. A nova engenharia de gestão de recursos está aí para apresentar propostas e ideias.

A água é um recurso vital para a vida. Porque desperdiçar água potável, que deveria servir apenas para beber e cozinhar, utilizando-a em limpezas domésticas e outras actividades que poderiam ser executadas com água salobra? 
Todos os edifícios deveriam estar providos de sistemas de recolha e aprovisionamento de águas pluviais, que seriam distribuídos através duma rede de canalização independente da de água potável para consumo humano. As águas de recolha seriam utilizadas em todas as actividades de limpeza, manutenção e outras (como rega de plantas e jardins, alimentação de fontes decorativas, ...).

De igual modo todos os edifícios (tanto para habitação como para serviços) deveriam estar providos de sistemas de conversão de energia solar e eólica em energia eléctrica, que seria utilizada nos mesmos, sendo o remanescente enviado para a rede pública.
Igualmente o aquecimento de águas deveria ser feito com recurso à energia solar, através dos sistemas que se entendessem mais adequados e rentáveis. Assim também os sistemas de climatização deveriam utilizar a energia solar, em detrimento do consumo da energia da rede pública de electricidade.

Para haver verdadeiras políticas ecológicas é necessário a inclusão de todos os agentes sociais, assim como todos os indivíduos. Se a função dos governos e parlamentos é legislar, então que o façam segundo perspectivas globais e de interesse geral, tendo em conta o melhor aproveitamento de todos os recursos tecnológicos disponíveis, para uma melhor utilização dos recursos naturais.

10 comentários:

Maria disse...

ManDrag o mundo complicou-se quando alguém decidiu que as trocas comerciais seriam facilitadas com a aparição do Moeda... então surgiu o poder associado ao dinheiro e não ao conhecimento. Dinheiro, Lucro, Acções e Transacções, Bancos e Banca são o credo que move todos os interesses e até os sonhos de muitos.Triste não é? No nosso mundo não existe o melhor para todos mas sim para minorias. Não é só de legislação que se trata na industri imobiliária ou em qualquer outra industr
ia ...temos que mudar de sistema politico/económico e de mentalidades . Até que isso seja possível ManDrag, temos que lutar contra o nosso maior inimigo,para sermos felizes : nós próprios.

SILÊNCIO CULPADO disse...

ManDrag
Há uma mudança de mentalidades que tem que ser operada mas, para que tal aconteça, será necessário que o ambiente cultural propicie imputs positivos o que não acontece. E não acontece porque esse ambiente é composto por interesses mercenários em concorrência aos quais não interessa ganhar pessoas para causas que de alguma forma possam pôr em causa as suas actuações.
Concordo com tudo o que dizes relativamente às imobiliárias e aos requisitos do produto final. Mas quem põe mão nas suas actuações?
Abraço

ManDrag disse...

Salve! Maria
O único modo de mudar o mundo é mudando-nos a nós próprios.
Salutas!

ManDrag disse...

Salve! Lídia
Por isso eu me bato por um verdadeiro poder a uns verdadeiros governantes.
Os governantes de hoje são executores de vontades ocultas.
Abraço.
Salutas!

JOY disse...

Boas Mandrag,

Visito pela primeira vêz o teu blog, apareci aqui através da Lidia, e sinceramente gostei deste e dos outros blogs que tens aos quais voltarei com mais calma pois gostei dos textos. Relativamente a este assunto, as ideias que aqui propões são ideias simples eficazes e que já deveriam estar regulamentadas, não obrigam a grandes modificações e são o aplicar de uma verdadeira atitude ecológica. Teria prazer em ter uma visita tua em:
http//joy-allnightlong.blogspot.com

Um abraço
Joy

ManDrag disse...

Salve! Joy
Bem vindo sejas sempre a meus blogs.
Pois é como dizes, "são ideias simples eficazes e que já deveriam estar regulamentadas". Mas sabemos, como já disse em texto anterior, que não são os governantes que governam, mas os senhores obscuros do grande capital. Talvez quando perceberem que estas medidas até seriam um filão de grandes ganhos financeiros para eles, mandem os governantes legislar nesse sentido.
Um abraço.
Salutas!

São disse...

POis seria bom que todos nós fôssemos Ribeiro teles, particularmente quem tem poder decisório.
Abraço.

ManDrag disse...

Salve! São

Pois, bom seria que cada um de nós possuísse um pouco da consciência humana/ambiental de Ribeiro Teles... Mas façamos cada um a nossa parte e já não será tão mau assim.

Um abraço.

Salutas!

Wagner disse...

Muito legal o texto, aki no Brasil a construção civil eh um dos poucos ramos que não foram afetados pela crise financeira global! É de extrema importância pensar nas questões mundiais como aquecimento global, por exemplo! Abraços!

ManDrag disse...

Salve! Wagner

Já passei aí pelo Brasil e conheço um pouco a realidade urbana brasileira.
O Brasil é uma economia em crescimento, ocupando já o 7º lugar a nível mundial.
De qualquer modo a habitação popular no Brasil é um pouco self-made, pelo que passa um pouco ao lado das crises no sector.
No entanto, é necessário alertar todos para as conveniências pessoais e globais de adoptar boas práticas no planeamento e opções para os gestos mais comuns do nosso quotidiano.
Obrigado pela visita e volta sempre.
Abraço.
Salutas!