quinta-feira, 21 de agosto de 2008

BARRAS E CORRENTES

«Se não têm pão que comam brioche!»

Aqui sentados, no conforto tranquilo dos nossos lares, é fácil nos esquecermos que há outros mundos. Mundos muito menos tranquilos que o nosso. Mundos para onde atiramos aqueles que não queremos entre nós, porque eles não aprenderam, ou não quiseram cumprir as regras do nosso mundo.
E o nosso é um mundo regrado e inflexível, tal como o mundo que esses indesejados criam nesses covis para onde os despejamos.

Os que não cumprem as regras da sociedade são julgados e punidos, em conformidade com a gravidade da transgressão. E a punição é o encarceramento.
Para isso criámos prisões onde enjaulamos essas feras indomadas, que perturbam a tranquilidade social.

Se apenas os deixarmos lá, cumprindo o tempo de pena que lhes foi estipulado, eles continuarão feras indomadas. Alguns até aprenderão, através do convívio inter-pares, a agravar a sua tendência à indomabilidade, saindo mais perigosos do que entraram.
Dentro das cadeias formam-se pequenos mundos organizados de criminologia cumplicitária que depois é transposto para o exterior no fim do cumprimento das penas.

Nos tempos de crise social e económica que atravessamos, o aumento da delinquência e criminalidade é inevitável. As prisões vão ficando cada vez mais lotadas e o mau acondicionamento dos detidos apenas irá ampliar a sua revolta e tendências predatórias. Isso agrava o risco para aqueles, que cá fora, pensam estar a salvo dos criminosos.

Um criminoso é um ser humano, por mais hediondo que tenha sido o seu crime. Isto é um facto! Pode ser difícil de aceitar, mas é um facto. E tal como qualquer outro ser humano, ao criminoso também assistem direitos; os mesmos Direitos Universais do Ser Humano.

Como sociedade civilizada e evoluída (seja lá o que isso for) devemos dar uma atenção particular aos criminosos. Alguns casos serão patológicos e irremediáveis, mas outros são apenas fruto da ocasião («a ocasião faz o ladrão», diz o provérbio) e da falta de preparação moral e educacional do delinquente. Lançar todos para a mesma jaula é estimular a propagação de maus modelos comportamentais.

Todos os anos se formam pedagogos e psicólogos nas nossas faculdades. Porque não preparar esses técnicos para os direccionar a um trabalho regenerativo de comportamentos socias junto das populações de encarcerados?
É mais que tempo de ser reconhecido à Psicologia o estatuto de ciência de utilidade pública, que lhe é devido, por cada vez mais necessária se estar tornando neste mundo paranóico.

«Longe do olhar, longe das preocupações». Não basta! Já deveriamos estar eticamente muito além disso. É tempo de se rever todo o sistema jurídico e penal das nossas sociedades cultas e cientificamente avançadas. Não podemos continuar enjaulando pessoas como o faziam no passado as sociedades menos evoluídas.
Mais ainda quando se verifica que as prisões funcionam como centros de propagação de mais violência e tendencialmente mais agravada.

A caldeação no mesmo espaço dos mais variados tipos de delinquentes leva à propagação de mais violência.

5 comentários:

São disse...

Tens razão, sem dúvida!
No entanto, os comportamentos que prejuducam o Outro têm que ser sancionados e não desculpabilizados.
Se não se tratarem de psicopatas , os indivuduos que enfiam uma pistola pela boca da funcionária de uma gasolineira - como ontem fizeram dois brasileiros - têm consciência perfeita do mal que estão praticando!!
E, neste caso de estrangeiros, deveriam ser expulsos para o país de origem, simplesmente!
E não me venham acusar de xenofobia, racismo e disparates do tipo!!
Bom domingo.

ManDrag disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
ManDrag disse...

Salve! São
Não me parece que «a mão pesada da justiça» resolva algum problema de criminalidade. Punição não é reeducação, nem reintegração.
O nosso estatuto de criaturas civilizadas exige-nos mais do que retaliação.
Além disso num mundo tendencialmente globalizante, o termo «estrangeiro» vai deixando de ter sentido.
Saibamos amar e perdoar, para poder educar. Pois o grande mal da nossa sociedade (a portuguesa em grande evidência) é a ausência duma verdadeira Educação.
Um Abraço amigo.
Salutas!

Paulo disse...

ManDrag

O primeiro passo para a educação consiste em despertar a vontade de aprender.

Em cada palavra tua, em cada significado que transmites na tua mensagem, aprendo desmesuradamente.

No que te é inato, revejo-me alegre e confortavelmente. :)

Amigo, o abraço que te deixo, sempre para ti, sem segredos.

ManDrag disse...

Salve! Paulo
Obrigado pela visita, amigo.
Pois, tens razão no que dizes, o primeiro passo é mesmo aprender a ter prazer em aprender. Aprender que o conhecimento é uma fonte de prazer.
E já é mais que tempo de aprendermos a ser melhores.
O meu abraço para ti, irmão na descoberta de nós próprios.
Salutas!