sábado, 18 de outubro de 2008

O CASO GAY 3: MINORIAS?!

Ciclicamente se vem falar em praça pública dos direitos dos homossexuais. 
O debate dos direitos das minorias é sempre um tema muito querido aos políticos, principalmente quando tal debate pode significar angariação de votos. E entre as minorias mais em voga estão os homossexuais, contudo eu creio haver aí uma correcção a fazer.

Os homossexuais não são uma minoria. Minoria é o conjunto de homossexuais assumidos; os ditos gays e lésbicas. Pois quanto aos restantes homossexuais, pesa o medo da assunção, que leva a muitos optarem por vidas frustradas e casamentos (heterossexuais) de fachada e conveniência.
Não é necessário consumar actos sexuais com indivíduos do mesmo sexo para se ser homossexual, nem mesmo admitir para si próprio e em segredo, que se é homossexual para o ser.

A homossexualidade não é uma opção, nem um fardo. É um estado de identidade, que nestas sociedades dogmáticas e preconceituosas, carregadas de séculos de tradições castradoras da identidade individual, se torna por vezes motivo de mau estar e pretexto para todo o tipo de sevícias.

Todo o indivíduo, enquanto participante do todo social, contribuindo para a edificação dessa mesma sociedade e nela participando como elemento contributivo, tem o direito a que lhe sejam atribuídos os mesmos direitos que aos seus pares.
Talvez que o receio dos legisladores seja que ao se darem direitos idênticos aos homossexuais se vejam levantar mais véus e se descubra que afinal somos mais que uma simples minoria <bizarra e depravada>.

A homossexualidade é comum na natureza. Ela acompanha a Humanidade desde o seu alvor. Cada vez mais os arqueólogos, antropólogos e historiadores constatam que os comportamentos homossexuais não eram tão estranhos, nem dignos de referência particular, nas culturas mais simples e naturais. 
Aliás, na Antiguidade não havia nenhum vocábulo para definir tais comportamentos. A catalogação de comportamentos é uma coisa moderna, uma coisa mais recente, que surge com o advento da Ciência e da sua febre catalogadora.

Eu sou homossexual e não considero que isso me faça pertencer a uma minoria, pois ao sair à rua e olhando com atenção à minha volta, leio muitos comportamentos e sinais denunciadores de verdades escondidas e abafadas, cruelmente abafadas. À estados de alma que os olhos não conseguem negar.

7 comentários:

SILÊNCIO CULPADO disse...

ManDrag

Ninguém pode desenvolver-se e construir-se saudavelmente negando a sua natureza.
Ser ou não ser homossexual não é nada de relevante o que é relevante é a sociedade e são as leis que discriminam.
Direi mesmo que estamos perante o absurdo de discutir algo que não devia estar a ser discutido sendo aceite como natural.
A não legitimação através da lei dos casamentos entre pessoas do mesmo sexo implica sempre uma fractura entre grupos que têm determinados direitos por serem reconhecidas legal e socialmente as famílias que constituem, e grupos que não têm esses direitos porque se o Estado não os reconhece enquanto tal. E não os reconhecendo o Estado como esperamos que a sociedade civil o faça?
Finalmente há também que deixarmo-nos de hipocrisias.
Há certos dirigentes que se opõem aos casamentos "homo" mas que são tidos por terem estas tendências e as manifestarem às escondidas.

Abraço

ManDrag disse...

Salve! Lídia
Que poderei acrescentar mais ao que tão eloquentemente afirmaste, senão que subscrevo tudo, palavra por palavra.
E quanto aos dirigentes políticos que se levantam encarniçadamente contra o reconhecimento dos direitos dos homossexuais, quando sabemos das suas práticas homossexuais secretas, é revelador da IMENSA hipocrisia social e política em que esta sociedade está baseada.
Abraço.
Salutas!

São disse...

Na linha do que aí escreves deixei o meu comentário na Isabel-F por causa de um escriba que acha este tema uma histeria!!
Abraço-te!

ManDrag disse...

Salve! São
Obrigado pela visita, mas as minhas supostas capacidades de detective não foram suficientes para conseguir seguir o rasto dessa Isabel-F, pelo que fiquei na mesma.
Abraço.
Salutas!

Paulo disse...

ManDrag

O teu excelente texto provoca-me, faz-me transpirar, franzir dedos de espera, contar em voz alta até, para controlar o nervosismo.

A homossexualidade é tudo o que dizes, e muito mais até, pela subtileza com que se vive a vida, pelo prazer com que se saboreia a existência, pelo bom senso em detrimento do senso comum, pelo coração que traz a essência ao peito, por tudo e também por nada.

... por ti,

Que tanto me orgulho por seres quem és.

Que tanto me orgulho em gostar de ti.

Que tanto me orgulho em ter-te como amigo.

Homossexualidade = Vida acima de todas as expectativas.

Abraço-te ManDrag, desta vez, com toda a intensidade.

ManDrag disse...

Salve! Querido Paulo
Lisonjeiras e cortejantes as tuas palavras. Me enternecem e animam também, na conta dos momentos, das esperas, das leituras nas linhas, entre as linhas e para além das linhas.
Sim, meu querido, a homossexualidade é tudo como dizes; é saborear a vida com bom senso e não com senso comum.
Anseio o momento de te conhecer melhor e mergulhar fundo na tua alma.
Deixo-me abraçar no teu abraço intenso, no âmago da tua Alma.
Salutas!

São disse...

Está na minha lista lateral: Art e Desig de Isabel -f ou também a verás nos comentários que deixa no meu espaço.
Boa semana.