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sábado, 13 de dezembro de 2008

AS CRIANÇAS DA NOSSA AGONIA: O FUTURO

Assistimos diariamente ao recrutamento de crianças e jovens para as mais vis e violentas intervenções sociais.

Falam na nociva influência que os video-jogos têm na formação moral e cívica das crianças e jovens. Mas a criança de 5 anos (5 ANOS!!!) que eu vi, numa reportagem televisiva, que num país africano, envolvido numa daquelas guerras selvaticamente sanguinárias, se apresentava de metralhadora às costas implorando para ser incorporado nas forças de combate, de certeza absoluta não tinha acesso a video-jogos e, muito provavelmente nem saberia do que isso se tratava. Ele apenas vive num mundo de quotidiana violência, em que a dor e o sofrimento são tidos como comuns e a morte é apenas um percalço.

Em zonas de influência islâmica extremista (e cujas práticas nada têm a ver com o Islão anunciado no Corão) as crianças são educadas de modo a perderem o sentido de individualidade e a se sentirem motivadas e impelidas a se explodirem, fazendo com que o seu gesto cause o maior numero de vítimas mortais em redor, crendo nisso como o objectivo máximo das suas vidas.

Na Europa, modelo de tranquilidade social e segurança, amiudadamente vamos assistindo, com um preocupante crescendo de incidências, à sublevação de hordas de jovens investindo com uma agressividade e violência excessivas, contra tudo e todos, recorrendo para tal a qualquer pretexto. Pretexto esse que acaba por ser diminuído pelas proporções  insanas dos protestos.

Com frequência somos sobressaltados sobre notícias de jovens que irrompem pelas escolas que frequentam, armados de armas de fogo e atirando sobre tudo que se mexa, para depois se imolarem a si próprios. E isto em países ricos e envolvendo filhos de classes sociais sem dificuldades de sustento ou sobrevivência.

Casos também de jovens que agridem tanto professores como os próprios colegas, numa completa falta de sentido de limites hierárquicos e respeito pela dignidade de cada indivíduo. Jovens que chegam a programar sessões de espancamento de colegas, para depois exibirem na internet as imagens colhidas durante a prática desses actos.

É nas mãos desta geração de vândalos que entregamos os destinos do mundo.

Mas sei que há muitas excepções por aí. A esperança não está perdida!

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

A MORTE

Numa sociedade doentiamente obcecada com a segurança, a morte é o cúmulo de todos os pavores e tabus.

Todos nascemos para morrer!

Inevitável, a morte. A doce morte, dádiva da vida, que assim nos liberta dos incontáveis suplícios da imortalidade. 
Uma vida sem morte seria uma existência de Sísifo.

A morte é o grande tabu, desta sociedade de valores distorcidos e anti-natura. Um tabu que motiva logros e sonegações aberrantes; como a de esconder a realidade da morte às crianças.

A morte é vista como uma perda. 
Mas porque não a ver como um ganho? Porque ela é entendida como usurpadora de tudo aquilo a que a nossa avidez de posse (ou ganância, como lhe queiram chamar) nos levou a acumular e a apegarmo-nos doentiamente.

"Nada podes levar contigo." diz-nos o Barqueiro da Morte. E isso é o desaire maior de quem sempre se afirmou através do que adquiriu e acumulou ao longo duma vida desperdiçada numa afirmação através dos bens acumulados. Uma verdadeira prova de mesquinhez e imaturidade anímica.

Na nossa sociedade perdeu-se o sentido da morte. A morte é algo de que nos queremos livrar tão depressa quanto nos livremos dos nossos mortos. 
"Morreu? Enterra-se e a vida segue em frente." Falso! Rotundamente falso! 
Esse desrespeito pelos nossos mortos e a hipocondria com que nos apressamos a livrar-nos deles revela a imaturidade perante a Vida e a Existência em geral. 

Também não é com carpideiras e funerais obscena e extravagantemente luxuosos, onde (muitas vezes) hipocritamente todos se lamuriam da perda do defunto, que se dignifica a morte e o seu valor.

A morte é a libertação e afirma o cumprimento de uma etapa, ao dar-lhe fim. Por isso a morte é uma ocasião de natural e serena satisfação pelo reconhecimento da boa conclusão duma tarefa designada.