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segunda-feira, 6 de outubro de 2008

SINCERIDADE E VIRTUDES

A vida em comunidade impõe regras para uma boa convivência entre os seus membros.
Daí veio a Moral e desta as Virtudes.

Em Democracia venera-se o culto da Verdade e de todas as Virtudes a ela associadas. Entre elas vem a Sinceridade abrindo o cortejo, por ser aquela que impõe como regra primeira a revelação do que se pensa, sente ou quer. E então tropeçamos nessa sinceridade verdadeira estampada por todo lado, muitas das vezes sem a termos pedido e sem que ela nos interesse, ou seja útil de qualquer modo.

Uma das primeiras regras para um viver harmonioso é o Bom-Senso. E ele deve ser aplicado em tudo; até mesmo às Virtudes.

Virtude sem Bom-Senso é arrogância e afrontamento.

Poderiamos dizer que a Coragem sem Bom-Senso é loucura. Assim como Honestidade sem ele pode se tornar em cumplicidade maliciosa. E a Sinceridade vira desaforo e petulância.

Mas a mais comum falha na aplicação das Virtudes é a Sinceridade, pois muitas vezes ela causa mágoa e e incómodos desnecessários.

Será que temos mesmo necessidade de saber o que pensam e dizem sobre nós na nossa ausência? Será que isso melhorará as nossas existências? Sinceramente creio que nem sempre.

Vive-se uma euforia de informação, sempre supostamente baseada na revelação completa da Verdade. Os orgãos de comunicação metralham-nos com todo o tipo de informações, muitas delas apoiadas por imagens explicitamente reveladoras, respeitando o venerando princípio da Verdade.
Mas será que muita dessa verdade é de alguma utilidade favorável para quem é surpreendido por ela? Será que temos mesmo de saber toda a verdade dum modo raiando o exibicionismo? Será que não haverão outros modos de apresentar a Verdade com mais dignidade e respeito por aqueles a quem ela é supostamente dirigida?

Há ainda a Liberdade que muitos entendem como o direito de apregoar o que entendem ser a necessária Verdade. E lá voltamos de novo à Sinceridade.
À Sinceridade e Liberdade de se afirmar o nosso pensamento, sentimento ou parecer, é prioritária a avaliação do impacto que aquilo que queremos transmitir terá sobre os alvos visados.
À falta de bom-senso, o melhor é o silêncio.

As Virtudes apenas o são enquanto acções conducentes à Harmonia e Evolução.