segunda-feira, 11 de maio de 2009

A PROPÓSITO DE DARWIN

Recebi um email da minha amiga Lena: "...fomos ver a exposição sobre Darwin e a sua Teoria da Evolução..." Na conclusão das reflexões sobre o que haviam observado subsistem algumas questões: "Quem sabe se o destino da nossa existência no planeta não será precisamente tornarmo-nos os Deuses de uma Nova Criação... Não nos adaptamos à Natureza fazemos dela nossa escrava e não nossa aliada, até quando?" Mas, minha cara amiga, é isso mesmo!

Todos trazemos o registo profundo da condição da nossa existência e do nosso percurso evolucionário. Não tomamos consciência disso porque perdemos o elo interior da nossa ligação ao Universo, o que nos leva a viver em contracorrente com o nosso desígnio maior. Mas não deixamos de evoluir para o cumprimento do nosso destino.

Nós evoluímos, tal como tudo no nosso universo. De Homem Sábio (Homo Sapiens)  iremos crescer até ao Homem Espiritual e desse até ao Homem Criador. O desígnio derradeiro da nossa existência, enquanto espécie humana, é tornarmo-nos Criadores.

Somos criadores da nossa realidade e da nossa existência. Moldámos o mundo em que vivemos e nele aprendemos a sustentá-lo, para num futuro longínquo sermos também nós Criadores de outros mundos.

sexta-feira, 1 de maio de 2009

INTELIGÊNCIA E VONTADE

A energia que nos impulsiona enquanto Humanidade em processo evolutivo é essencialmente emocional. Contudo, cada vez mais nos é exigido uma tomada de consciência inteligente para resolução dos desafios que encontramos pelo caminho. Temos uma visão dramática, quando não trágica, do Mundo e da Vida. Mas não tem que ser assim; temos todas as capacidades para alterar o fatalismo duma visão redutora da existência. Apenas temos que aprender a Vontade.

Podemos ter desenvolvido uma civilização tecnologicamente avançada, mas não evoluímos como um todo harmonioso e activamente inteligente. Uma sociedade baseada na autossatisfação dos prazeres básicos não espelha todo o potencial da Humanidade. Um modelo de vida baseado num hedonismo primário e materialista cria um mundo egoísta de corrida ao consumo, gerando desigualdade e injustiça social. Resultado muito pouco satisfatório numa espécie que se afirma como sendo inteligente.

Demasiado dependentes da inserção num grupo social, tornamo-nos descurados com a importância do nosso querer sobre os nossos destinos individuais. Desaprendemos a arte de ser autónomos e conscientes dos rumos que escolhemos. Passamos a ser cordeiros num rebanho, sem vontade própria.

O povo tornou-se ignorante da cultura que o suporta. Isso é a descaracterização do Ser Humano, enquanto agente gerador e gestor de cultura. É a apologia do homem-máquina dos primórdios romanescos da sociedade industrial. 
Um povo inculto é um povo escravo. Apenas o saber é libertador.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

AMOR-PRÓPRIO

O sistema social vigente falha completamente na formação humana do indivíduo. Os pais relaxam o seu dever de formação dos filhos nos educadores-de-infância (primeiro) e nos professores (depois), sem que estes tenham a competência e condições de o fazer sozinhos. Depois há toda uma pressão de concorrência e formatação da criança num sistema que peca por se exceder em errados pressupostos de modos vida e felicidade.

A formação do indivíduo, desde criança, é negligenciada em detrimento da sua habilitação como agente produtor-consumidor, numa sociedade de perfil exclusivamente materialista. A plenitude do indivíduo é irrelevante perante a sua capacidade de servir os propósitos gananciosos do sistema.

Nada, nem ninguém, está preparado para estimular amor-próprio em qualquer um de nós. Sentimento fundamental para a formação plena do indivíduo e indutora de felicidade. Como disse o meu amigo Jorge Oyafuso "se a pessoa não tiver amor-próprio, ela não terá amor consistente para com outras pessoas, e tampouco saberá o que é amar" e o Amor é fundamental para alcançar a Felicidade.

Nesta Nova Era é tempo de todos assumirmos os nossos papéis individuais e colectivos na busca e aplicação de todo o conhecimento acumulado por milénios de evolução humana. A ideia pós-industrial do homem-máquina caducou. Impõe-se a assunção da condição universal e espiritual do Ser Humano. Temos de nos esforçar por fazer muito melhor do que estamos fazendo. O comodismo e conformismo desta sociedade ilusoriamente pró-hedonista é pernicioso no seu desleixo pelo cuidado na formação humana individual.

Temos de reaprender os ancestrais hábitos de reconhecimento e respeito por cada indivíduo como um ser humano. Apenas com o estímulo e apoio de toda a sociedade se criam indivíduos psicologicamente equilibrados e saudáveis, em plena vivência dum amor-próprio capaz de lhes inspirar a felicidade que contribuirá para uma feliz harmonia geral.


Dedicatória: À memória dum Amigo que nunca conheci, mas com cujo pensamento tenho convivido através da Amizade da sua filha, a minha Amiga São Banza.

domingo, 12 de abril de 2009

LENHA E DESERTO

Todos nos penitenciamos pelo contributo nocivo da poluição, causada pela nossa civilização, nas mudanças climáticas e desertificação do nosso habitat. Mas não somos apenas nós, os ricos civilizados e industrializados, que poluímos e degradamos o meio-ambiente.

As populações pobres e aquelas deserdadas dos seus vínculos ancestrais com a Mãe Natureza, que vivem entre dois mundos, sem a nenhum deles pertencer, acabam por dar um contributo altamente nocivo na desmatação de florestas e savanas. A aculturação a que esses povos de início foram forçados e mais tarde se permitiram na perspectiva de alcançar um eldorado que nunca lhes sorriu, deixou-os sem rumos próprios. Não souberam, nem quiseram, retornar às suas práticas ancestrais e perduram num limbo anacrónico altamente nocivo. Falaciosamente sustentados por incorrectas políticas paternalistas, eles acabam por adquirir hábitos desajustados ao meio em que vivem.

A necessidade que todos têm de lume para confeccionar as suas refeições leva a que os mais pobres procurem nas florestas circundantes a lenha que necessitam para produzirem o fogo indispensável. Tal prática revela-se incorrecta e ainda mais nociva quando associada ao desmatamento por parte de madeireiros sem escrúpulos.

Em África o desmatamento da escassa vegetação da savana, pelas populações para a produção de lenha, a um ritmo superior ao do crescimento natural, leva a um empobrecimento do solo, que se torna arenoso. Inicia-se assim um processo de desertificação progressivo que avança com o deslocamento das areias sopradas pelos ventos. 

Já as zonas de floresta tropical são um alvo preferencial dos madeireiros que buscam o lucro com o comércio de madeiras exóticas. As grandes distâncias e a escassez de agentes e medidas de fiscalização e controlo, facilitam a proliferação deste comércio criminoso.

Tal se verifica igualmente na América do Sul e na Ásia, onde o crescimento populacional se junta também aos comportamentos que acima referi. Aqui ainda temos que considerar o desmatamento para a conversão dos terrenos selvagens em zonas agrícolas, de maior ou menor escala, mas igualmente perniciosos para a vida selvagem e a preservação dos ecossistemas.

A comunidade de países desenvolvidos possui os meios para ajudar a eliminar estas práticas. A ciência e a indústria têm o conhecimento suficiente para produzir pequenos fogões alimentados por energia solar e os países ricos o dinheiro suficiente para os distribuir nas zonas mais inóspitas e carentes do globo. Afinal o desmatamento para obtenção de lenha para a culinária acontece nas regiões mais expostas ao sol. O dinheiro para isso?! Não foi fácil os ricos arranjarem milhares de milhões de dólares para salvar a sua rica economia nesta crise?

Quanto ao comércio de madeiras exóticas e desmatamento para alimentação de fábricas de produção de papel, a comunidade de países desenvolvidos também tem muito a dizer sobre isso, tanto em termos de regulamentação do comércio, como no apoio logístico aos países mais carenciados.

A Humanidade já alcançou um patamar de evolução tecnológica e económica capaz de proporcionar a todos um modo de vida salutar e sustentável, sem que uns tenham uma cozinha atafulhada de maquinaria supérflua e outros tenham de abater árvores centenárias e por vezes milenares, para sobreviverem.

sexta-feira, 27 de março de 2009

SINAIS

Pouco a pouco vamos verificando o aparecimento em cena de uma nova geração de políticos e figuras públicas, com novos ideais e novos modos de abordagem dos problemas. Novas posturas mais humanistas e próximas do cidadão-comum.

Ao dizer isto logo nos ocorre à mente o paradigma da eleição de Barack Obama. Mas cada vez mais a política se estende para além dos gabinetes da governação, deixando de ser um jogo de interesses económico-estratégicos, para assumir um perfil de cuidados sociais e globais protagonizados por figuras mais ou menos públicas, muitas delas com percursos bem afastados dos redis da política.

São os sinais de novos tempos. 
Assistimos ao declínio de uma Era e ao dealbar de outra. Mas nesta nova época novos modelos se impõem. Um novo entendimento do mundo, uma nova forma inclusiva de compreender a Humanidade em toda a sua diversidade e idiossincrasias.

Já não é tempo para nos entretermos com guerras e subjugação de povos, com  o único fito de uma exploração económica imoral e desumana. Já não é tempo para submissões a dogmas políticos, moralistas ou religiosos, que se sobrepõem ao verdadeiro bem-estar do ser humano. 

É tempo de repensar costumes e tradições. É tempo de reinventar a modernidade. É tempo de incorporar a ciência e o conhecimento, nos usos do quotidiano. É tempo de escutar os filósofos e pensadores, aprendendo com eles a ponderar e reflectir.

É tempo de todos assumirmos a nossa maioridade evolutiva. Tempo de assumirmos a responsabilidade individual perante os destinos do mundo em que todos habitamos. Tempo de integrar uma consciência colectiva universalista.

domingo, 15 de março de 2009

DIVAGAÇÃO URBANA 7: CLUSTER URBANO

Vivemos na Era Urbana.

As populações migram das zonas rurais para os grandes centros urbanos, preferencialmente para o litoral. As cidades crescem além do conveniente, tornando-se imensas megalópoles.

Tais megalópoles caracterizam-se por uma região central (correspondendo muitas vezes ao centro histórico originário da urbe), onde se concentram serviços e comércio, assim como algumas das habitações mais caras (visto o elevado preço dos terrenos nessas zonas apetecíveis). Também para o centro convergem todos os transportes urbanos, o que torna o tráfego denso e a circulação difícil. 

Desenvolvem-se então bairros periféricos, irradiando do centro económico e administrativo, que se vão agigantando dum modo mais ou menos caótico, incapacitando a administração central de responder a todas as solicitações de gestão de infra-estruturas e supervisão.

O crescimento das  mega-cidades é demais previsível, nos tempos que correm, pelo que se justifica uma ponderação cuidada na elaboração política de planos de crescimento. Para tal seria necessário repensar o sistema de administração municipal das cidades.

As megalópoles deveriam organizar-se como grandes clusteres de micro-cidades, cada uma com uma administração própria que zelaria pelo bom cumprimento do plano director central. O conjunto de administrações das micro-cidades formariam uma assembleia que agiria em uniformidade com as directrizes do Município Central.
Deste modo seria muito mais fácil o acesso do cidadão aos dirigentes locais e estes estariam mais próximos dos problemas, logo mais conscientes da premência das necessárias intervenções. 

Todas as micro-cidades seriam providas das infra-estruturas necessárias para a satisfação de todos os cuidados básicos das populações, tanto em termos administrativos, como sanitários e educacionais.

Uma boa rede integrada de transportes colectivos serviria para facilitar a comunicação entre as diferentes micro-cidades, evitando a saturação de tráfego no núcleo central da megalópole. 
Do mesmo modo todos deveriam ter possibilidade de emprego na sua própria zona de residência, subtraindo-se assim o pendular movimento populacional quotidiano, evitando todos os seus malefícios, tanto a nível económico como no bem estar humano dos cidadãos, que se sentiriam mais integrados e co-responsáveis pelos ambientes em que viveriam.

domingo, 15 de fevereiro de 2009

JUSTIÇA NÃO-CEGA

Justiça cega, não!

A Justiça não deve ser punitiva. A Justiça deve estar sempre um passo à frente do crime. Compete às instituições governamentais da sociedade e a esta mesma, contribuir para um equilíbrio salutar entre todos os campos da actividade social, assim como da educação de todos os indivíduos, desde a mais tenra idade, para um integrado viver cívico.

A justiça não começa nos tribunais nem termina nas prisões. A justiça deve começar desde criança, no aprendizado dos rudimentos de viver em sociedade.
A justiça implica o envolvimento de todo o corpo social. Não estou falando da denominada "justiça popular", mas sim do entendimento, por parte de todos os indivíduos que a justiça envolve todos e não apenas a instituição judicial.

O espírito de rebeldia e afrontação, fazem parte do ser humano. Esse espírito tem até contribuído para muitos avanços da Humanidade. Contudo é necessário saber controlar esse espírito rebelde e transgressor; não o castrando, mas orientando-o dum modo positivo.

O enjaulamento de seres humanos é uma barbaridade, impensável para uma sociedade que se pretende tão evoluída como a nossa. Não é amontoando criminosos e marginais numa jaula que se reabilitam ambos. 
Não basta a privação da liberdade para a reeducação de quem quer que seja. Quanto muito, tal medida apenas despertará sentimentos de revolta e frustração.
Se a sociedade tiver modos de prevenção das situações que estimulem a prática de transgressões e crimes, mais fácil será a prevenção e resolução de problemas. 

Diz o ditado popular que: "A ocasião faz o ladrão." 
Pois é... numa sociedade cheia de injustiça social e desigualdade, onde uns (poucos) têm obscenamente mais do que precisam e outros (muitos) não têm o mínimo para sobreviver...

A Justiça não pode ser cega. Cabe aos magistrados terem a coragem e a lucidez de julgarem cada caso com ética e humanidade, sem se restringirem (e muitas vezes se refugiarem) à frieza ácida da linearidade, desumanamente imparcial, da lei.
É chegado o tempo de os magistrados deixarem de julgar no abstracto e assumirem o seu papel de seres humanos envolvidos no processo de fazer verdadeira Justiça.